COI PASSA A EXIGIR TESTE GENÉTICO PARA PARTICIPAÇÃO NO ESPORTE FEMININO A PARTIR DE 2028

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A decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de adotar testes genéticos como critério para participação na categoria feminina a partir dos Jogos de 2028 reacendeu um debate global sobre inclusão, ciência e política no esporte. A medida, que prevê a análise do gene SRY — associado à determinação de características biológicas —, foi alvo de críticas de atletas e entidades ligadas aos direitos da população trans.
Entre as vozes mais contundentes está a da jogadora brasileira Tifanny Abreu, de Osasco. Em entrevista ao jornal O Globo, ela afirmou não ter se surpreendido com a nova diretriz e classificou o cenário como parte de uma disputa ideológica mais ampla. “Esta é uma luta diária contra a extrema direita”, declarou a atleta, que se tornou um dos principais símbolos do debate sobre participação de mulheres trans no esporte de alto rendimento.
Mudança de critério e retorno a práticas antigas
O novo modelo proposto pelo COI marca uma mudança significativa em relação às políticas mais recentes, que levavam em consideração níveis hormonais e desempenho esportivo. Ao retomar testes genéticos como critério central, especialistas apontam que a entidade se aproxima de práticas antigas de verificação de gênero, amplamente criticadas no passado por seu caráter invasivo e por falhas científicas.
A análise do gene SRY, especificamente, busca identificar a presença de material genético associado ao sexo masculino. No entanto, pesquisadores e organizações de direitos humanos argumentam que a biologia do sexo é mais complexa do que uma única variável genética, envolvendo fatores hormonais, fisiológicos e sociais.
Influência política no debate esportivo
Tifanny também relacionou a decisão do COI ao atual cenário político internacional, citando ações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem defendido restrições à participação de mulheres trans em competições femininas. Para críticos, esse movimento reflete uma crescente politização das regras esportivas, especialmente em países onde o tema se tornou pauta eleitoral.
Caso brasileiro expõe tensões jurídicas
No Brasil, a própria trajetória de Tifanny evidencia os desafios enfrentados por atletas trans. A jogadora foi alvo de disputa judicial para participar da Copa Brasil de Vôlei, após uma tentativa de veto baseada em legislação municipal. A decisão final coube ao Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou sua participação, reforçando o entendimento de que regras locais não podem se sobrepor a direitos fundamentais.
Entidades denunciam retrocesso
A Associação Nacional de Travestis e Transexuais criticou duramente as novas diretrizes do COI, classificando-as como parte de um movimento global de exclusão. Segundo a entidade, a justificativa científica apresentada é “ultrapassada” e ignora avanços no entendimento sobre identidade de gênero.
Para a ANTRA, a decisão não apenas afeta o esporte de alto rendimento, mas também envia um sinal preocupante para outras áreas da sociedade, reforçando estigmas e barreiras para a população trans.
Um debate longe do fim.
Com a proximidade dos Jogos Olímpicos de 2028, a tendência é que a discussão se intensifique, envolvendo atletas, federações, cientistas e governos. O desafio será encontrar um equilíbrio entre critérios de justiça esportiva e o respeito aos direitos humanos — uma equação que, até agora, segue longe de um consenso.
Enquanto isso, casos como o de Tifanny Abreu continuam no centro de um debate que ultrapassa as quadras e reflete disputas mais amplas sobre identidade, ciência e política no mundo contemporâneo.
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