QUEIROGA, NO SEGUNDO TURNO IDEOLOGIA E PAPEL HIGIÊNICO PARECEM TER A MESMA UTILIDADE

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Durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da FM 100.5, o pré-candidato ao Senado Marcelo Queiroga mostrou que, quando o assunto é segundo turno, a tão falada coerência ideológica pode acabar ficando em segundo plano.
Ao comentar os possíveis cenários da disputa de 2026, o ex-ministro deixou claro que “tudo pode acontecer”. Questionado sobre uma eventual aliança entre Cícero Lucena e Efraim Filho, respondeu com naturalidade que política é dinâmica e que antigos aliados podem virar adversários, assim como adversários podem voltar a caminhar juntos.
Até aí, nada de novo. O curioso é que o discurso de defesa intransigente dos valores da direita, tão presente nos palanques e nas redes sociais, parece perder força quando o assunto passa a ser matemática eleitoral.
Perguntado se apoiaria Lucas Ribeiro ou Cícero Lucena em um eventual segundo turno, Queiroga preferiu não se comprometer. Segundo ele, qualquer combinação é possível. Traduzindo para o eleitor mais ideológico: primeiro vêm os princípios; depois, dependendo da conveniência política, conversa-se sobre os princípios.
A declaração reforça uma velha máxima da política brasileira: durante a campanha, muitos falam em convicções; depois da apuração dos votos, começam as negociações. Para quem acompanha o debate político paraibano, fica a impressão de que, no segundo turno, ideologia e papel higiênico acabam tendo a mesma serventia: usam quando precisam e depois descartam sem muito apego.
Resta saber se o eleitor conservador, que escuta diariamente discursos sobre valores, coerência e fidelidade política, concorda com essa lógica do “vamos ver como fica”. Afinal, para quem vende convicções como principal patrimônio político, dizer que qualquer combinação é possível costuma gerar mais perguntas do que respostas.
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