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Brasília — O clima esquentou nos bastidores da Câmara dos Deputados após uma declaração explosiva do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Casa. Em tom de confronto, Lindbergh afirmou nesta terça-feira (15) que o governo vai agir com força para barrar o avanço do projeto de lei que tenta anistiar os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
“Quem assinou esse projeto de urgência escolheu romper com o governo. Não tem meio-termo. Não dá pra ficar em cima do muro quando o assunto é golpe contra a democracia”, disparou o deputado. Segundo ele, o governo já está em articulação para convencer pelo menos 20 parlamentares da base aliada a retirarem suas assinaturas do requerimento que acelera a tramitação do projeto.
O texto, conhecido como PL 2858/22, gerou revolta entre setores progressistas e da esquerda. Com mais de 260 assinaturas, o projeto quase avançou em regime de urgência, mas foi travado por uma manobra do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que decidiu encaminhá-lo para uma comissão especial — retardando sua votação.
O PT foi além: encaminhou um pedido oficial ao presidente da Câmara pedindo o arquivamento imediato da proposta, alegando que ela é “inoportuna, perigosa e um insulto à democracia”, especialmente após revelações de planos de assassinato contra autoridades por parte de alguns dos condenados, que poderiam ser beneficiados pela anistia.
“Esse projeto é uma afronta. É uma tentativa disfarçada de absolver criminosos que atacaram o coração da República. Não vamos aceitar isso passivamente”, completou Lindbergh.
Enquanto a oposição tenta emplacar a narrativa de “perseguição política”, o governo se mobiliza para enterrar de vez a proposta. Lindbergh ainda sinalizou que está disposto a discutir a revisão de penas impostas pelo STF, mas deixou claro: anistia ampla, geral e irrestrita está fora de cogitação.
A batalha está só começando — e promete novos embates entre o Planalto e os setores mais radicais do Congresso.