O JOGO SUJO:
GRANDE PARTE DA IMPRENSA PARAIBANA ACUSOU, JULGOU E CONDENOU RICARDO COUTINHO. POR QUE SERÁ”?

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O JOGO SUJO: divergência política não justifica condenação antecipada de Ricardo Coutinho
Sem Arrudeio e Nem 8 Nem 80 reafirmam sua linha conservadora e defendem o respeito à presunção de inocência e ao devido processo legal.
O site Sem Arrudeio e o programa Nem 8 Nem 80 têm uma posição editorial clara: somos de direita e conservadores. Nossas diferenças com o Partido dos Trabalhadores e com o deputado federal eleito Ricardo Coutinho são públicas. Entretanto, o compromisso com os princípios democráticos exige defender direitos também daqueles de quem discordamos politicamente.
A Constituição Federal estabelece que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Essa garantia deve ser respeitada independentemente de partido, ideologia ou preferência eleitoral.
Isso não impede a imprensa de divulgar denúncias, acompanhar investigações, cobrar esclarecimentos e noticiar decisões judiciais. Exige, porém, responsabilidade para distinguir uma acusação de uma condenação definitiva, apresentar o estágio de cada processo e assegurar espaço às manifestações da defesa.
É nesse ponto que fazemos uma crítica à cobertura política paraibana: quando uma abordagem transforma suspeitas em certezas e apresenta alguém como culpado antecipadamente, o jornalismo deixa de contribuir para o esclarecimento dos fatos e passa a alimentar um julgamento público.
Na avaliação editorial do Sem Arrudeio e do Nem 8 Nem 80, parte da cobertura sobre Ricardo Coutinho merece ser questionada sob esse critério. A cobrança por responsabilidade deve alcançar tanto os agentes públicos quanto os veículos que informam a sociedade.
Ricardo Coutinho foi eleito pelo PT, partido do qual divergimos ideologicamente. Essa divergência permanece. Defender seu direito ao devido processo legal não representa adesão ao seu projeto político: representa coerência com os princípios que cobramos para todos.
Nossa posição será acompanhar os fatos, ouvir os envolvidos e avaliar os desdobramentos das investigações e dos processos, respeitando as decisões e os recursos cabíveis. Nossas análises devem se apoiar em informações verificadas, sem antecipar culpa ou inocência.
A imprensa tem o dever de fiscalizar o poder. Esse dever ganha força quando é exercido com rigor, equilíbrio e respeito aos direitos individuais. A democracia exige essa responsabilidade, sobretudo quando o personagem da notícia está no campo político adversário.
Ricardo Pina — Editor responsável pelo site Sem Arrudeio e Nem 8 Nem 80



